7 de setembro de 2010

Aposentadorias, pensões... empatia.

      Passei um tempo fazendo estágio em um escritório onde atendia, em dupla ou trio, clientes que procuravam auxílio para ingressar com alguma ação judicial previdenciária. Sempre apareciam casos de aposentadoria, auxílio-doença, e até algumas pequenas ações na área cível.

      Posso dizer que foi um período muito interessante, onde aprendi bastante, especialmente sobre o lado humano do Direito.

      Nossos clientes eram especialmente idosos e pessoas acometidas de doenças que as impediam de trabalhar. O contato com essas pessoas ensinou-me a olhar além da lei, a ouvir, a dar atenção e a ser compreensiva.

      Tantas vezes, o que os clientes mais esperavam de nós não era uma resposta técnica adequada, mas um pouco de atenção, de empatia. Ouvi muitas histórias sobre uma vida inteira de trabalho e sacrifício, recolhendo grandes valores à previdência social e a decepção de ter um retorno financeiro muito baixo na fase da vida que mais precisavam de ajuda.

      Gostaria muito de poder ajudar mais em alguns casos, mas a lei impõe limites à nossa atuação, e isso gerava em mim uma certa frustração. Entendo que esse sentimento leva à busca pela melhoria da legislação.

      Apesar de tudo isso, eu ainda aprecio muito a legislação previdenciária, e essa é uma das áreas do Direito que mais tenho prazer em atuar, já que geralmente lidamos com pessoas que trabalharam anos e contribuíram fielmente com a previdência, o que me faz sentir que estou trabalhando em prol da justiça - mesmo achando que os valores dos salários-benefício não sejam satisfatórios.

      De tudo que vivenciei nesse estágio, a maior lição que tive foi que todas as pessoas - e isso inclui os clientes, rs - necessitam de atenção, de uma demonstração de interesse e de valorização de si e de sua história, isso faz muita diferença pra cada um que cruzar nosso caminho.

      Em suma, eu diria que aprendi a nunca esquecer de olhar nos olhos.

    

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