Ah, quão vazio é o mundo!
Tantas frases
Tantos pensamentos
E tão vazias as mentes!
Ah, quão vazio é o mundo!
Quantos carros
Quantas festas
Quantas flores abandonadas!
Ah, que mundo vazio!
Que mundo sem cor
No meio de tantas luzes
De tantas músicas sem saberes!
Ah, diversão, diversão!
Gritarias, rumores
Amores vazios, amores?
Tanto tudo
Tanto nada!
Ah, vazio e profundo!
Profundas as almas
Que se alimentam de nada
De nada em pó
De nada com gelo
De nada em grandes porções.
Ah, os mandamentos!
As falas
Os pensamentos
As meditações
Vagam serenos na sala pequena
Trancada a chaves
Pois não acham valor
Nos valores comuns
Do que hoje é normal.
Ah, que mundo vão e vazio!
O rico é pobre no que não mostra
E o pobre é rico pelo que não tem.
O que se deseja alcança-se
Sem fazer esforço,
sem lutar pelo que vem!
Ah, não dá, já não dá!
O sábio é ridículo, pois desfaz
E encontra-se no desfazendo
E a si mesmo se refaz
No silêncio
Na dor
No sofrimento
Ah, as fugas e tempestades!
Grande valor há nos burburinhos
E a mente não pensa no que virá
Quero mais!
Só sei que mais quero!
Ah, desejos e impulsos!
Tenha e tenha
Não tente se conter
A contenção desgasta
Não interessa vê-lo crescer
Ah, a ilusão do futuro!
Pensar positivo
Atrair sem agir
Negar maturidade
Comparar e medir
Pelo poder aquisitivo
Pela beleza que se esvai
Ah, quão vazio és ó mundo!
Fazer, fazer
Comprar, comprar
Somar, somar
Não questionar!
Ah, vazio e grande
Vazio e fútil
Cheio, saturado
É o mundo!
Ah!
Ah!
Há tanta coisa no mundo
E não há nada.
Nenhum comentário:
Postar um comentário